Desde que as primeiras notas com os campos de IBS e CBS começaram a sair, em 2026, a conversa no balcão mudou. Dono de mercadinho em Periperi, lojista na Avenida Sete, gerente de restaurante na Pituba: todo mundo ouviu falar da Reforma Tributária, mas pouca gente sabe dizer o que ela muda no dia a dia da loja.
Juntamos aqui as cinco perguntas que mais escutamos de quem vende no varejo em Salvador, com respostas curtas e sem juridiquês. Se quiser o panorama completo, com a linha do tempo até 2033, veja o nosso guia da Reforma Tributária 2026.
1. "Que história é essa de IBS e CBS na minha nota?"
A reforma foi aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025. Ela cria três tributos novos: a CBS, que é federal; o IBS, que pertence a estados e municípios; e o Imposto Seletivo, também federal.
O IBS e a CBS são os que aparecem na nota. O Projeto NF-e publicou uma nota técnica com os novos grupos de IBS, CBS e Imposto Seletivo, e a NF-e e a NFC-e passaram a ter espaço para esses valores em cada item vendido. Para o cliente que pega o cupom no caixa, quase nada muda. Para o sistema que gera a nota, muda bastante.
2. "Vou pagar mais imposto este ano?"
Essa é a pergunta número um, e a resposta curta é: em regra, não em 2026.
Este é um ano de teste. A CBS aparece na nota com alíquota de 0,9% e o IBS com 0,1%, mas esses valores podem ser compensados com o PIS e a Cofins que a empresa já recolhe. O objetivo é ver se empresas, sistemas emissores e Fisco conseguem trabalhar com o modelo novo antes de ele valer para valer.
O "em regra" está aí por um motivo: cada empresa tem um regime, uma atividade e uma situação. Quem confirma como isso se aplica ao seu CNPJ é o seu contador. Leve a pergunta para ele com uma nota de exemplo na mão.
3. "Sou do Simples. Isso é problema meu?"
Boa parte do comércio de bairro em Salvador está no Simples Nacional, e a dúvida é natural. O Simples continua existindo. A reforma prevê regras específicas e opções para as empresas que estão nele, e qual caminho faz mais sentido depende do seu tipo de cliente e do jeito que a sua operação funciona.
Aqui não tem receita pronta: avalie com o seu contador. O que vale para todo mundo, do Simples ou não, é manter o cadastro de produtos correto e o sistema emissor atualizado. Isso não depende de regime.
4. "Quando o ICMS acaba de verdade?"
Não acaba de uma vez. A troca é escalonada:
- 2027: a CBS passa a valer de fato e substitui o PIS e a Cofins. O Imposto Seletivo começa.
- 2029 a 2032: o ICMS e o ISS vão sendo reduzidos aos poucos, enquanto o IBS aumenta.
- 2033: ICMS e ISS deixam de existir.
Ou seja: durante alguns anos a sua nota vai conviver com impostos antigos e novos ao mesmo tempo. Quanto mais organizado estiver o cadastro, menos confusão no fechamento do mês. Na tabela do nosso guia completo você vê cada fase lado a lado.
5. "O que eu faço agora, na prática?"
Quatro coisas, nesta ordem:
- Marque uma conversa com o contador. Pergunte como a reforma afeta o seu regime e o seu ramo, e se as notas que você já emite estão saindo certas.
- Revise o cadastro de produtos. NCM, descrição e classificação tributária de cada item. Loja com milhares de produtos precisa começar cedo; vale separar por grupo e ir fechando aos poucos.
- Cobre o fornecedor do sistema. Pergunte, por escrito, se o seu PDV ou ERP já emite NF-e e NFC-e com os campos de IBS e CBS. Resposta vaga é sinal de alerta.
- Olhe a validade do certificado digital. Parece detalhe, mas certificado vencido trava a emissão de qualquer nota.
Três erros que vale evitar
Achar que 2026 não conta. As alíquotas são de teste, mas os campos são de verdade. Nota que sai sem IBS e CBS, ou com valores errados, mostra que o cadastro ou o sistema precisa de ajuste. Melhor descobrir agora do que em 2027, quando a CBS passa a ser cobrada.
Deixar o cadastro para o contador sozinho. O contador sabe a regra; quem sabe o que cada produto é, de verdade, é você. Aquele item cadastrado como "diversos" ou com descrição genérica só você consegue esclarecer. O trabalho rende muito mais quando os dois sentam juntos.
Confiar no "vai sair uma atualização". Se o fornecedor do seu sistema não diz quando, nem confirma por escrito, trate isso como um não. Sistema fiscal parado no tempo é risco para a operação inteira, não só para a reforma.
E se o meu sistema não estiver pronto?
Acontece mais do que parece. Muito comércio roda com sistema antigo, sem suporte ativo, ou com um emissor que ninguém sabe quem mantém. Nesses casos, a reforma é um bom motivo para reavaliar.
A UNI Tech, divisão de sistemas da Uma Nova Imagem, tem PDV e ERP já preparados para a Reforma Tributária, com os campos de IBS e CBS na NF-e e na NFC-e. O PDV emite NFC-e na SEFAZ-BA e está detalhado na página do PDV com NFC-e para a Bahia. Os planos começam em R$ 99/mês para 1 PC, e o diagnóstico é gratuito: olhamos como você emite nota hoje e dizemos se vale atualizar o que tem ou trocar.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu contador. Atualizado em 13/10/2026.